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Segurança na produção de queijo: como não pôr ninguém doente

O queijo é um alimento vivo e fermentado. A mesma biologia que constrói o sabor pode construir agentes patogénicos. Eis o que pode correr mal, as barreiras que o impedem e as linhas que não deve ultrapassar em casa.

Tempo de leitura
11 min
Secções
7
Nível de risco
Fundamental
"Na dúvida, deite fora. Um galão de leite desperdiçado custa alguns euros. Uma infeção por Listeria na pessoa errada pode custar uma gravidez, ou uma vida."
O fabrico caseiro de queijo é seguro para a maioria das pessoas, na maioria das vezes — desde que respeite um pequeno número de regras rígidas. O risco não está distribuído de forma uniforme: uma ricotta fresca comida no dia em que a faz é quase isenta de risco, ao passo que um queijo de pasta mole de leite cru curado numa prateleira húmida é uma das coisas de maior risco que pode fazer numa cozinha doméstica. Esta página explica a diferença, nomeia os organismos efetivamente envolvidos e dá-lhe as "barreiras" em que os queijeiros profissionais confiam para manter o queijo seguro. Leia-a antes de fazer qualquer coisa que pretenda curar.

As quatro barreiras que mantêm o queijo seguro

A segurança do queijo não tem a ver com esterilidade — tem a ver com empilhar barreiras que os agentes patogénicos não conseguem transpor. Nenhuma barreira por si só é suficiente; em conjunto, tornam o queijo um lugar hostil para os organismos que o prejudicam, ao mesmo tempo que acolhem as culturas que pretende. As quatro barreiras são:

Todas as páginas de método desta secção são, na verdade, um exercício de aplicação destas quatro barreiras pela ordem correta. Quando uma receita lhe diz para manter uma temperatura, atingir um pH ou salgar segundo uma proporção, essa instrução é uma barreira — não uma sugestão.

O que pode realmente correr mal

Estes são os organismos que importam nos lacticínios. Não precisa de os temer — precisa de respeitar as condições que lhes permitem crescer.

Listeria monocytogenes

O agente patogénico emblemático do queijo. Cresce mesmo a temperaturas de frigorífico, prospera nas superfícies dos queijos de pasta mole e de casca lavada, e é especialmente perigoso na gravidez (aborto espontâneo, nado-morto), em recém-nascidos, idosos e imunodeprimidos. A razão pela qual o queijo de pasta mole de leite cru acarreta um risco desproporcionado.

E. coli (STEC, O157:H7)

Estirpes produtoras de toxina Shiga provenientes de contaminação fecal do leite cru. Pode causar insuficiência renal, sobretudo em crianças. Pode sobreviver à cura — a regra dos 60 dias não a elimina de forma fiável.

Salmonella

Outro contaminante do leite cru. Sobrevive no queijo; documentado em surtos tanto de queijos de leite cru como de queijos pasteurizados recontaminados.

Staphylococcus aureus

Frequentemente proveniente das próprias mãos do produtor. Se o leite ou a coalhada ficarem quentes enquanto a acidificação estagna, a S. aureus pode produzir uma toxina termoestável que a cozedura não destrói. Boa acidificação e higiene previnem-na.

Clostridium botulinum

Raro no queijo, mas grave. O risco aumenta em condições de baixa acidez, baixo teor de sal e anaeróbias — p. ex. parafinar ou selar a vácuo um queijo húmido e pouco acidificado, ou pastas de queijo mole armazenadas a quente. Ácido + sal + armazenamento a frio adequados são as defesas.

Bolores & leveduras indesejados

Nem todo o bolor é do tipo amigável. Um crescimento contaminante negro e felpudo, rosa e viscoso, ou cor de laranja vivo num queijo que não o devia ter significa deitar fora. O bolor selvagem pode conter micotoxinas; nunca "inocule de forma selvagem" um queijo.

Leite: a maior decisão de segurança

O leite com que começa define o seu teto de risco antes de fazer qualquer outra coisa.

Verificação legal
Vender queijo de leite cru curado há menos de 60 dias é ilegal nos EUA, e vender leite cru é, de todo, ilegal em muitos estados. As regras diferem por país e região. Fazer queijo para consumo do próprio agregado é geralmente permitido; vendê-lo é fortemente regulamentado. Conheça a sua lei local antes de vender ou oferecer queijo.

Limpo, não estéril

Não pode fazer queijo num ambiente estéril, e não precisa — mas o controlo da contaminação importa em cada etapa.

Curar sem fazer crescer as coisas erradas

O queijo curado torna-se seguro ao acertar a acidificação e o sal antes de sequer chegar à câmara de cura — a cura concentra e desenvolve então um queijo que já estava numa trajetória segura. A cura não pode salvar um queijo que começou mal.

Quem deve ter mais cuidado

Pessoas que não devem comer queijo caseiro ou de leite cru

Aviso legal
Esta página é informação educativa geral, não aconselhamento profissional, médico ou regulamentar de segurança alimentar, e não substitui uma receita testada de uma fonte qualificada nem as regras da sua autoridade alimentar local. O fabrico de queijo acarreta um risco inerente; ao fazer e comer queijo caseiro, assume esse risco. A Freshie Cheese e a Veryation não dão qualquer garantia quanto à segurança e não aceitam qualquer responsabilidade por resultados. Cumpra as leis locais em vigor e, se vender ou servir queijo a terceiros, os requisitos do seu regulador de segurança alimentar.

Fontes & leitura adicional

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